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Mel – Alimento ouro (30/10/2014) O mel é consumido como alimento desde a pré-história sendo já considerado um alimento supervalorizado, pois sua coleta resultava em morte das abelhas e destruição da colmeia. Tais questões fizeram que

O mel é consumido como alimento desde a pré-história sendo já considerado um alimento supervalorizado, pois sua coleta resultava em morte das abelhas e destruição da colmeia. Tais questões fizeram que na Europa, durante a idade média, em alguns lugares as árvores fossem propriedade do governo sendo proibido derrubá-las, pois elas poderiam servir de abrigo a um enxame no futuro. Os enxames eram registrados em cartório e deixados de herança por escrito, o roubo de abelhas era considerado um crime imperdoável, podendo ser punido com a morte.

Com o passar do tempo, os homens perceberam que poderiam fazer este manejo sem prejudicar as abelhas originando assim a apicultura. Os egípcios foram os pioneiros nesta prática, enquanto que os povos da mesopotâmia foram os primeiros a utilizar o mel para fins medicinais. Os gregos também sempre foram grandes apicultores e foi Aristóteles quem estudou as abelhas de perto, percebendo as diferenças entre abelhas-operárias, abelha-rainha e zangões.  Com o manejo adequado da colmeia foi possível extrair outros produtos como a própolis, a geleia real e o pólen apícola.

O mel é a substância viscosa, aromática e açucarada obtida a partir do néctar das flores e/ou exsudatos sacarínicos que as abelhas melíficas produzem. O mel é classificado de acordo com as plantas utilizadas na sua elaboração. Portanto este pode ser monofloral, ou seja, produzido a partir do néctar de uma única flor, ou ainda polifloral, ou seja, produzido a partir do néctar de diversas espécies florais. A coloração do produto final é diretamente relacionado com a origem da flor, variando de mais dourado ao mais claro, sendo este o mais aceito no mercado. O mel é um alimento muito rico e de alto teor energético sendo seus principais componentes os açúcares glicose e frutose. Possui ainda enzimas, vitaminas e presença de elementos químicos importantes par a o bom funcionamento do organismo, os oligoelementos. O selênio, zinco, manganês, cromo e alumínio também são encontrados neste alimento.

Atribuem-se várias propriedades medicinais ao mel, além de sua qualidade como alimento sendo estas as propriedades antissépticas, antibacterianas, anti-inflamatória e antioxidantes.

O Brasil é atualmente o 6° maior produtor de mel do mundo perdendo apenas da China, Canadá, Estados Unidos, México e Argentina na respectiva ordem.

Outro produto utilizado como resultado da apicultura é a própolis, por apresentar atividades biológicas vem sendo utilizada há milhares de anos pelo homem  para mumificação de cadáveres, tratamento de infecções bacterianas e fúngicas, bem como devido às atividades anti-inflamatórias, contra afecções do trato respiratório, antioxidante, imunomodulatória, antitumoral e antiúlcera.

A geleia real, por ser utilizada na colmeia como alimento da rainha e demonstrar benefícios para esta, teve a atenção de pesquisadores que comprovaram que esta substância possui ação antibiótica, antiviral e melhora a resistência contra infecções virais.

Com relação ao consumo do pólen, muitos benefícios são atribuídos como fortificante extraordinário do organismo, estimulante e gerador de bem estar e vigor físico além de corrigir a alimentação deficiente, o que resulta em equilíbrio funcional. Comprovou-se ainda auxílio nos casos de anemia por deficiência de ferro, doenças do trato urinário, aumento da imunidade, estimulante do crescimento, antidepressivo, antioxidante e antialérgico.

 

Os benefícios e a qualidade das substâncias oriundas das abelhas são largamente difundidas ao longo do tempo. Contudo, o consumo do mel não é indicado para crianças menores de 2 anos à fim de proteger contra o botulismo. Esta doença é causada pela ingestão do alimento contaminado pela bactéria, e devido à ausência da microbiota de proteção nos indivíduos dessa faixa etária, há a produção e consequente absorção da toxina no intestino. O botulismo é uma doença grave e deve ser considerada emergência médica.

 

Colaboração: Jeniffer Diniz de Souza - Nutricionista CRN10 3157

 

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