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Imunização em adultos (17/11/2014) O impacto da vacinação na saúde da população no último século foi enorme, sendo comparado ao da água potável.

Imunização em adultos

O impacto da vacinação na saúde da população no último século foi enorme, sendo comparado ao da água potável. A vacinação permitiu a erradicação da varíola; a eliminação da poliomielite nas Américas, Europa e Oceania; o controle do sarampo nas Américas; a redução do número de casos e óbitos por doenças como o tétano, a difteria e a meningite por Haemophilus influenzae B. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a cada ano mais de 120 diferentes tipos de vacinas salvem 2,5 milhões de vida e que a otimização do uso dessas vacinas poderia salvar um adicional de 2 milhões de vida.

No Brasil, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) foi instituído em 1973, para coordenar as ações de vacinação e teve grande impacto na epidemiologia das doenças imunopreveníveis.

Em decorrência do êxito do PNI, passou a aumentar a demanda por outros imunógenos e, também, por indicações mais amplas, que abrangessem diversos segmentos da população.

O primeiro calendário do PNI era dirigido à população infantil e a única vacina preconizada para adultos era a antitetânica. Em 1999, inicia-se a vacinação de influenza, em campanhas anuais, para todos os adultos maiores de 65 anos, posteriormente ampliada para os de 60 anos ou mais. O primeiro calendário nacional de vacinação do adulto é publicado em 2004, incluindo as vacinas de difteria e tétano (dupla adulto), sarampo, caxumba, rubéola (SCR) e febre amarela para pessoas que residem ou viajam para regiões onde houver recomendação, de acordo com a situação epidemiológica. A vacina de pneumococo polissacarídica 23-valente é recomendada só para adultos institucionalizados ou com patologias de base. Atualmente o calendário de vacinação do PNI para adultos de 20 a 59 anos de idade inclui também a vacina de hepatite B.

Paralelamente à ampliação da imunização para outras faixas etárias cresce o envolvimento de outras especialidades médicas, entre as quais os infectologistas, com o tema das imunizações. A disponibilidade de novas vacinas para a prevenção de doenças infecciosas tem sido crescente em anos recentes (antimeningocóccica e antipneumocóccica conjugadas, rotavírus, papilomavírus humano [HPV] e herpes-zoster). Outras novas vacinas são esperadas para os próximos anos. Na época atual em que os avanços tecnológicos propiciam o aparecimento de produtos vacinais de alta complexidade, o desafio que se impõe é que tais produtos possam ser administrados a extensas camadas da população.

A vacina quadrivalente recombinante HPV (tipos 6, 11, 16, 18) foi introduzida no calendário do PNI, a partir de março de 2014, para meninas de 11 a 13 anos de idade. Está licenciada no Brasil, e disponível em clínicas particulares para mulheres e homens de 9 a 26 anos de idade, embora já haja estudos em mulheres mais velhas. A vacina bivalente recombinante HPV (16, 18) está licenciada no Brasil para mulheres a partir dos 9 anos, sem limite de idade.

Outras vacinas também indicadas para adultos ainda não estão disponíveis no PNI. A vacina hepatite A, de vírus inativados, de alta eficácia e segurança, pode ser aplicada em adultos suscetíveis. As vacinas antimeningocóccicas conjugadas C e a quadrivalente A,C,Y,W também são indicadas para adultos, sendo particularmente importantes para viajantes que se destinam a áreas de alta incidência de doença meningocócica, como, por exemplo, os peregrinos que viajam para Meca, na Arábia Saudita, onde multidões se reúnem.

Em artigo recente foi relatada a experiência do GeoSentinel, um sistema de vigilância e monitorização de agravos em viajantes, cujos dados são alimentados por clínicas especializadas em medicina de viagem e em doenças tropicais4. Foram descritos 1586 viajantes que retornaram de visita ao Brasil e procuraram as clínicas do GeoSentinel de julho de 1997 a maio de 2013. Os autores chamam atenção para a ausência, nesses viajantes, de doenças preveníveis por vacinação, tais como sarampo, rubéola, caxumba ou coqueluche. As altas coberturas vacinais observadas no Brasil têm levado à diminuição da circulação dos agentes etiológicos responsáveis por essas doenças, o que diminui o risco de aquisição. Mas os autores consideram também que os viajantes analisados poderiam estar protegidos por vacinação. Outras doenças imunopreveníveis, como febre tifoide, hepatite A e hepatite B também estiveram ausentes ou pouco frequentes nos viajantes que retornaram de viagem ao Brasil.

Deve-se ficar alerta agora para situação contrária. Os próximos eventos de massa que ocorrerão no Brasil, como as Olimpíadas em 2016, pelas situações de grandes aglomerados, podem facilitar a transmissão de algumas doenças. Durante esses eventos, o Brasil receberá viajantes provenientes da África, Ásia e Europa, onde ainda ocorrem casos de sarampo. Em 2013 houve expressiva circulação do vírus do sarampo na Alemanha, Itália, Reino Unido, Holanda e Romênia.

No Brasil, em 2013, foram notificados 201 casos de sarampo, 181 em Pernambuco. Em 2014, até a primeira semana de março, já foram confirmados 136 casos de sarampo, sendo 119 no Ceará, 11 em Pernambuco e seis em São Paulo. O genótipo viral predominante tem sido o D8, circulante desde 2012, no Reino Unido e em outros países da Europa e da Ásia. São necessárias coberturas vacinais altas e homogêneas para manter o controle do sarampo.

Essa situação, nacional e internacional, levou o Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo a publicar alerta reforçando a necessidade da vacinação de profissionais que atuem no setor de turismo, motoristas de táxi, funcionários de companhias aéreas, de transporte rodoviário, de hotéis e restaurantes, profissionais do sexo e outros que mantenham contato com viajantes. E alertando os viajantes e participantes desses eventos sobre a necessidade de atualizarem sua vacinação antes de viajar ou, antes do início do evento (preferencialmente 15 dias antes).

Alcançamos importantes êxitos no campo das imunizações, no Brasil, nas últimas décadas. Manter essas conquistas depende, além de outros aspectos, da percepção de que programas de vacinação devem contemplar todas as faixas etárias e que a participação de especialistas das mais diversas áreas é fundamental para a tomada de decisões.

Fonte:
http://www.infectologia.org.br/publico/noticias?id=647